Nos primeiros sete meses deste ano, o Grande ABC registrou 6.057 casos confirmados de dengue autóctones. O número é 442,74% maior em relação ao mesmo período de 2014, quando a região teve 1.116 registros.

O último levantamento solicitado pelo Diário às Prefeituras, em junho deste ano, mostrava que 4.739 pessoas tinham contraído a doença. Ou seja, em pouco mais de um mês, a quantidade de infectados pelo mal saltou 27,81%. Juntas, as sete cidades investigavam 4.635 casos suspeitos.

Todos os municípios registraram aumento em relação ao ano passado. Ribeirão Pires, que não teve nenhum caso da doença em 2014, atualmente soma 19. Em Mauá, o número saltou de cinco para 515, em Diadema, de 361 para 1.908. Já em São Caetano, de 27 para 316.

São Bernardo, que teve a maior parte dos casos registrada nos bairros Montanhão e Pauliceia, observou alta de 319,06% na quantidade de doentes. Já em Santo André houve aumento de 433,62%, com maior concentração de pacientes infectados no Jardim Santo André e no Condomínio Maracanã. Rio Grande da Serra não forneceu os dados (Mais informações na tabela ao lado).

Até o momento, foram registradas cinco mortes por dengue no Grande ABC. O último óbito foi observado em 27 de maio, quando uma idosa de 82 anos, moradora de Santo André, faleceu em um hospital de São Caetano. Outras duas vítimas fatais também eram mulheres e habitantes de Santo André, uma com 76 anos e outra de 39. Elas morreram em 29 de abril e 15 de maio, respectivamente. As duas foram atendidas em hospitais da cidade.

Uma moradora de São Bernardo faleceu aos 48 anos por causa da doença em 10 de abril. O primeiro óbito foi registrado em Diadema, em 16 de março. Uma mulher de 37 anos foi diagnosticada com a doença em São Bernardo, onde morreu.

Segundo o professor de Infectologia da Faculdade de Medicina do ABC Munir Akar Ayub, as mortes estão dentro da média de acordo com o aumento dos casos. “Na realidade, nós tivemos poucos casos no ano anterior e menos mortes. Com o aumento dos registros, o número de óbitos está estatisticamente dentro da média, já que temos mais possibilidades de mortes. Para que esses casos mais extremos aconteçam, há possibilidade de uma demora no diagnóstico e no atendimento médico”, afirmou.

Para o especialista, o período de estiagem que ocorreu durante o verão desse ano pode ter contribuído para o aumento de infecções. Porém, ele também aponta outros motivos. “O armazenamento de água incorretamente, pelo fato das pessoas terem dificuldades no abastecimento, pode ser uma explicação. Além disso, acho que houve um relaxamento no combate à dengue pelo poder público. A epidemia também mudou de lugar. O número de casos no Brasil foi maior no Norte e Nordeste nos anos anteriores e esse ano foi no Sudeste”, explicou.

A professora de ciências biológicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie Esther Lopes Ricci Adari Camargo, acredita que o número de casos continue a aumentar. “Essa é a tendência, a não ser que as pessoas fechem os recipientes de armazenamento. Não podemos esquecer que nos períodos de chuva também temos focos na rua, como pneus e vasilhames com água parada.”

Ela acredita que os hospitais não estavam preparados para receber os pacientes com a doença. “Eu cheguei a ver muita gente desistindo de ser atendido pela demora. E é crucial o diagnóstico e um tratamento bem feito.”

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